Intercâmbio entre regiões vitivinícolas vai fortalecer vinho brasileiro
   
 
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A assinatura de um termo de parceria entre os municípios gaúchos de Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul com as cidades pernambucanas de Petrolina e Lagoa Grande , concluiu nesta sexta, dia 13 em Petrolina o 1º Encontro das Regiões Vitivinícolas da Serra Gaúcha e Vale do São Francisco.

O encontro, que teve como objetivo firmar o intercâmbio enoturístico , cultural e de eventos das duas principais regiões produtoras de vinhos do país , trouxe ao Vale do São Francisco , entre outras autoridades do segmento vitivinícola nacional, o prefeito de Bento Gonçalves, Alcindo Gabrielli , Tarcisio Michelon(presidente de Fenavinho- Feira Nacional do Vinho) e Luiz Henrique Zanini(presidente da Aprovale-Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos).

Para o prefeito de Bento Gonçalves, Alcindo Gabrielli, a assinatura do termo de parceria juntamente com os prefeitos de Petrolina, Odacy Amorim e de Lagoa Grande, Robson Amorim, oficializa uma série de ações e protocolos que vinham sendo construídos a partir dos laços de amizade. “ A história, as artes e a cultura do vinho nos une e agora nos impulsiona para a valorização, promoção e a divulgação do vinho brasileiro, que a cada dia cresce aos olhos do mundo”, enfatizou o prefeito do principal município do Vale dos Vinhedos, que recebeu no ano passado mais de 115 mil turistas.

O prefeito de Lagoa Grande, Robson Amorim aproveitou a ocasião e convidou toda a comitiva para a 5ª Festa da uva e do Vinho do Nordeste.. “ A Vinhuva Fest, que vai acontecer em nosso município de 11 a 13 de outubro, com certeza vai crescer em importância,movimento e atrações com as participações da nossa região- irmã e inspiradora, a Serra Gaúcha”.

O enófilo Jovino Nolasco, um dos responsáveis pelo sucesso da Fenavinho e consultor da Vinhuva Fest nas três primeiras edições(1999,2001 e 2003), afirmou que a parceria entre as regiões vai permitir a troca de experiências, entre a Serra Gaúcha , que já possui mais de 130 anos na atividade, produz 98% dos vinhos finos do pais em 600 vinícolas, com o Vale do São Francisco, que começou há pouco mais de 20 anos com a chegada dos gaúchos descendentes de italianos e já produz anualmente 8 milhões de litros de vinhos finos em 8 vinícolas.

“Foi extremamente construtiva a idéia de trazer esta comitiva com empresários, a exemplo de Antoninho Calza(presidente da Aprobelo-Associação dos Produtores de Vinhos Finos de Monte Belo do Sul), Roque Faer (Secretário de Administração de Monte Belo do Sul), Moyses Luiz Michelon( diretor do complexo turístico do hotel Villa Michelon), para conhecerem centros de tecnologia como a Embrapa Semi-Árido , a Biofábrica Moscamed( única na América Latina com alta tecnologia para o controle biológico da mosca da fruta) e as vitivinícolas. Além disso, realizamos um seminário, onde foi discutido temas importantes para as duas regiões, a exemplo da produção e conquistas do Vale dos Vinhedos(primeira indicação geográfica do país e reconhecimento pela Comunidade Européia) e as perspectivas de futuro para os vinhos do Vale do São Francisco”, comemorou Jovino Nolasco.

Segundo Nivaldo Carvalho, presidente da Assitur-Associação Integrada de Turismo na Ride do Pólo Petrolina-PE/Juazeiro-BA, que realizou o encontro com apoio do Sebrae, Instituto do Vinho do Vale do São Francisco e as prefeituras de Lagoa Grande e Petrolina, a experiência foi bastante proveitosa, principalmente para o segmento do enoturismo regional . “ A Serra Gaúcha é uma referência cultural, tanto no aspecto do receptivo como da realização de eventos. Vamos aproveitar toda a experiência adquirida pelos gaúchos para crescer em qualidade e diversidade, enquanto a principal região tropical de vinhos do mundo”.

A coordenadora da Unidade de Negócios do Sebrae em Petrolina, Maria Cândida Moreira detalhou a importância do intercâmbio tecnológico e sócio-econômico , quando lembrou também da perspectiva de oportunidades para os pequenos negócios na região “ Sabemos que boa parte da produção de vinhos da Serra Gaúcha vem das cantinas familiares em pequenas propriedades, o que propicia a divisão dos ganhos da atividade com uma parcela maior da população. Este exemplo pode ser seguido no Vale a partir do apoio à implantação de unidades de produção de uva e vinho em pequenas extensões de terra”.

A turismóloga Talise Valduga Zanine, que também fazia parte da comitiva gaúcha, surpreendeu os anfitriões pernambucanos , quando revelou o tema do trabalho de conclusão do mestrado em turismo que está concluindo pela Universidade de Caxias do Sul: “O Estudo Comparativo entre o Enoturismo nas Regiões Vinícolas dos Vales dos Vinhedos e do São Francisco”. Segundo Talise Valduga, muito do que já tinha aprendido sobre o Vale do São Francisco vai ter que ser repensado. “ Adorei tudo: as pessoas, as uvas, os vinhos, as pesquisas e as perspectivas. Este Vale é muito mais grandioso e promissor do que tinha estudado. Só vindo aqui para crer”.