Aldeia do Velho Chico: artistas comemoram resultados positivos

 
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Uma maratona com 20 atrações em várias modalidades artísticas, o VirArte , marcou, no último final de semana, o encerramento da 5ª edição do Aldeia do Velho Chico – Festival de Artes do Vale do São Francisco, que fez a região respirar cultura e arte entre os dias 31 de julho e 15 de agosto. O evento, um projeto integrante do Palco Giratório (Departamento Nacional do Sesc), realizado pelo Sesc Petrolina, promoveu mais de 80 espetáculos de dança, música, fotografia e teatro, lançamentos de livros, mostras audiovisuais e arte digital, propondo um intercâmbio cultural com 911 artistas da região e mais 12 cidades de seis estados brasileiros.

Para Jailson Lima, coordenador do Aldeia, o diferencial deste ano foi o investimento em cultura popular. “A Ilha do Massangano se transformou num grande terreiro, numa festa para receber diversos grupos da tradição oral. Foi emocionante viver o ‘Domingo na Ilha', com sons e ritos”. Ele também destacou a dança, que a cada ano vem ganhando mais espaço na programação, e a extensão do projeto para o município de Lagoa Grande/PE. “É o primeiro passo para que possamos levar cultura e arte para todo o Vale do São Francisco nas próximas edições”, revelou.

Outro destaque foi a realização das oficinas de formação artística. Nos 17 workshops oferecidos, foram capacitados 220 artistas da região na sede do Sesc Petrolina e 240 alunos de escolas públicas na zona urbana de Petrolina, na Ilha do Massangano e em Lagoa Grande. “Foi uma oportunidade que os participantes abraçaram para estar em contato com novas técnicas artísticas, desmistificar ideias e construir novos conceitos”, destacou Jailson Lima. Uma faceta do Aldeia é a geração de empregos temporários. Este ano foram 85 pessoas, entre coordenação, logística e organização trabalharam por mais de um mês para tornar o Festival possível.

Pela quarta vez em Petrolina e segunda no Festival, a atriz carioca Naná Sodré, que nesta edição do Aldeia veio com o musical infantil Historinhas de Dentro (Recife/PE), fez comentários positivos acerca do evento. “Cheguei até a comentar com uma colega de cena, Andreza Nóbrega, que cada detalhe do evento foi muito bem organizado, pois foi possível visualizar a arte por todos os lugares e ser envolvido por ela. Na outra edição em que participei, em 2005, os espaços do Mercado Cultural eram bem menores e este ano foi melhor, pois o trabalho desses artistas foi valorizado”, declarou. A designer de bijuterias Rose Oliveira endossa a opinião de Naná: “O Festival mostra a cara do artista e prova que a arte é viável”.

Para a próxima edição, o evento deve manter a descentralização das ações, a democratização e o acesso aos bens culturais. “Em cinco anos, o Aldeia se tornou um de nossos projetos de maior visibilidade no Sesc. Desde o princípio, o intuito sempre foi despertar a região para a própria riqueza cultural, compartilhar vivências com outros projetos e capacitar artistas em potencial por baixo custo, valorizando o trabalho artístico aqui realizado. Já estamos partindo para outros objetivos, que é integrar outras cidades à programação, como já foi feito em Lagoa Grande ”, anunciou o gerente do Sesc Petrolina, Hednilson Bezerra.

Reportagem: Paula Theotonio (CLAS)

Fotos: Carlos Laerte (CLAS)